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Generatione70A geração de 70 do Séc. XX. Entre os 20 e 30 anos, na década de 70. Antes, durante, depois e agora.
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March 29 Casos da Semana 3Liceu Nacional de Viseu, Turma D do 4.º ano (actual 8.º) Aula de Português. Lição n.º 48, 7 – 2 – 964. Professor: Simões Gomes.
Sobre o caso anterior ocorreu-me dar uma explicação ao facto e ela aparenta-se-me muito simples.
É o seguinte o significado que lhe dou: a Espanha ultimamente em grande desenvolvimento industrial, passou a olhar os acontecimentos naturais materialmente, pois, a necessidade de elevação do nível de vida é grande, o que torna mais lógico, tal ângulo de visão. Enquanto isso Portugal ocupado em reacender as páginas amarelecidas duma história, cheia de actos heroicos, mas que contudo não deixam de pertencer à antiguidade, ocupado portanto com esse trabalho e a defender com esses acontecimentos a sua política, vida social, industrial e agrícola, todos nos mostram as flores, andorinhas, mosteiros, espadas antigas pertencentes a antigos Reis, para que as empresas e fábricas, se diluam deste modo, para os que não abrem os olhos suficientemente.
Virgílio Azuíl, 13 anos. March 21 Casos da Semana 2Liceu Nacional de Viseu, Turma D do 4.º ano (actual 8.º) Aula de Português. Lição n.º 48, 7 – 2 – 964. Professor: Simões Gomes.
O mundo está cheio de contradições: uns andam a pé, outros de automóvel; uns brincam com foguetões, outros estão na pré-história; uns andam de sapatos de camurça, outros descalços e uns queixam-se de frio e chuva, outros festejam a chegada da Primavera. De alguns países recebemos notícias de nevões gélidos e prolongados, de outros de terríveis inundações que devastam os territórios por onde passam ou onde laboram, alguns por fim comunicam-nos a chegada da estação primaveril. Neste último número está incluída a vizinha e amiga Espanha.
Madrid recebe o dia com um escasso número de graus de temperatura, mas abandona-o com mais de 20.
Os cafés, então, com este calor, transpiravam por quantos poros tinham e viram-se na necessidade de reabrirem as esplanadas. É com este insalubre facto, que nos comunicam a chegada da Primavera.
Perante isto, uma conclusão tirei: os habitantes da capital, perderam a noção da estação florescente. Dão-nos parte dela com as esplanadas e não com as flores e andorinhas.
Nós, porém, os portugueses ainda temos essa noção e duma vila do Sul, já anunciaram, a chegada das andorinhas aos beirais.
Virgílio Azuíl, 13 anos. March 14 Casos da Semana 1Liceu Nacional de Viseu, Turma D do 4.º ano (actual 8.º) Aula de Português. Lição n.º 48, 7 – 2 – 964. Professor: Simões Gomes.
Todos nós soubemos, que as multidões amam deveras os enérgicos e sempre activos polícias. Mas o que alguns não sabem é que esse amor é universal. Em todo o lado, os agentes têm alcunhas e um cacete embirrento, que de vez em quando faz das suas. Pois bem, essa paixão, é já por si enorme, mas imaginemo-la aumentada pelo racismo: um «chui», de pele negra, tentando dominar um grupo de manifestantes segregacionistas. Eu, confesso, não queria estar no seu lugar.
O «cuco», deve ter levado uns tantos pontapés, retribuídos por número igual de cacetadas e ainda generosamente agradecidos, por uma série de murros. Foi realmente assim, que sucedeu em Cleveland nos E.U.A.
Ele viu-se e desejou-se para meter os civis na ordem. Ora, os últimos manifestavam, por sinal, contra a admissão de estudantes negros, em uma das escolas locais. Calculo o agrado com que eles receberam um polícia daquela cor a barrar lhes o caminho.
Entretanto, repórteres, fotógrafos e operadores de cinema focavam a cena e fixavam-na nas chapas dos seus mais ou menos potentes aparelhos de óptica, calmamente de um varandim. Impressionante não acham?
Virgílio Azuíl, 13 anos. March 02 Os Inseparáveis 1-Eram três sicilianos, nascidos num pequeno aglomerado costeiro. Másculos, Manuel e António sadios, Paulo, porém, era atormentado, de tempos em tempos, por uma tosse seca, que contudo não o preocupava. Além de grandes amigos por natureza - Paulo era primo de António e este parente afastado de Manuel - foram também aproximados pelo facto de terem estudado juntos. Não tinham nenhum curso, nem número elevado de anos de estudo, mas eram mais cultos, que os restantes rapazes, seus conterrâneos, o que os levava a procurarem se mutuamente para resolverem os seus, grandes e até pequenos, problemas.
Quando atingiram a idade de prestar serviço militar, Hitler declarou guerra à Europa, os três, porém, não compartilharam das suas ideias e durante um anoitecer sombrio, num veleiro dum único pano, desertaram, em direcção a França, onde se alistariam no exército aliado.
A amizade, a proximidade e a sua familiaridade não se notava, todavia, nos caracteres fisionómicos : Paulo e seu primo tinham olhos verdes, contudo, enquanto que o primeiro tinha cabelos retintamente negros, o segundo tinha-os extraordinariamente louros. Manuel, por sua vez, era dono de uns profundos olhos castanhos e duns cabelos castanhos-louros. Em todos predominava o rosto redondo, ligeiramente ovalado em António. March 01 Os Inseparáveis 2-A viagem, como era de prever, decorreu sem contratempos, excepto a falta de comida. Depois de fazerem escala nas duas ilhas que se lhes atravessavam no caminho, os três, puderam perceber no horizonte uma linha negra que representava aproximação das terras abundantes - em todos os sentidos - da Pátria de S. Luís.
Por fim, o barco sulcou a praia. Tudo estava deserto, a areia, perfeitamente lisa, denunciava a não existência de seres vivos. As areias reflectiam com intensidade, a luz dourada do astro rei, já em declínio, no seu governo despótico.
Desembarcaram. O entusiasmo com que esperavam receber novas terras, desvaneceu-se perante a quantidades de dunas que se estendiam a perder de vista. Manuel não se conteve:
- Irra! Desertam três sicilianos, para irem servir a Europa e salvá-la das mãos de Hitler, para serem recebidos por um deserto!
E deixou-se cair, desalentado.
Mas estes sentimentos não os podiam absorver eternamente e todos se dispuseram a procurar uma solução, para o seu problema. Cada um alvitrava uma maneira de saírem dali:
- Eu acho, que o melhor é andarmos para o interior, pois este mar da areia, sempre há-de ter fim. Sim, porque tudo tem fim e de certeza absoluta, que alguma aldeia encontraremos. - opinava António.
- Não - contrariava o primo - se caminharmos ao longo da praia, mais depressa encontraremos alguém, que nos indique como devemos proceder.
- Mas, olha lá! Se tu queres caminhar, ao longo da praia, não será mais confortável irmos de barco - proponha o último - e além disso pode-te aparecer algum rochedo.
- Ora, aqui não há rochedos!
- Nunca se sabe!...
- De qualquer maneira, eu prefiro ir para o interior.
- Com que então, vossa excelência quer caminhar pelas areias fora, sem pinga da água, e sem um grama de comida!?
- Tem paciência, mas no interior é que estão os campos de frutos e cultivo e não na costa.
- Mas o que nós pretendemos, é chegar a um aglomerado.
- Pronto, está bem!
- Então, estamos de acordo?
- Contigo evidentemente! Não sei porquê mas convences-nos sempre!?
Sim, realmente como era hábito Manuel tinha vencido a questão graças à sua fertilidade de argumentos e à influência que a sua opinião exercia sobre os outros. O mais frágil dos três tinha sobre os restantes o mesmo número de vantagens: a sua maior agilidade, maleabilidade e valor de alvitração. Como tal, passou à activa:
- Paulo, ajuda-nos a empurrar o barco. António salta lá para dentro e levanta o mastro. Upa! - E dum salto Manuel pulou para o interior da «banheira» como eles quando ociosos e brincalhões lhes chamavam. Brevemente ela navegava, vela enlufada e excessivamente rápida, para a sua qualidade de reles «banheira».
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